segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Amor e carros.


Velocidade e liberdade.
Ótima direção que proporciona sensação de plenitude.
As belas formas satisfazem o desejo de posse de um homem...
Realmente, carros esportivos são demais!
O amor, por sua vez, é diferente dos carros.
Os carros retribuem todo o tempo e o dinheiro que você gasta, mas o amor não pode ser comprado.
E isso têm lá os seus atrativos.
Tanto faz se o objetivo de sua paixão é um artista de tv ou uma simples imagem bidimensional, existem horas em que o homem torna-se apenas um pobre macho animalesco, movido pelos instintos mais primários.
Carros, mulheres e arte.
Fica faltando a cerveja, mas essas são nossas fontes de energia!
Hmm... até parece que sou um cara de sangue latino, que vive simplesmente o momento... arriba!!

sábado, 10 de setembro de 2011

Doutor, eu não me engano… Atlético Mineiro 2 x 3 Corinthians


A vó Dione havia perdido o seu avô João quando você nem tinha um ano. Agora acho que você sabe o que é perder quem te ama sem pedir e perguntar… Do jeito que a gente ama um time. Como o seu avô fez o seu pai Edu ser Corinthians até no leito de morte da mãe.
Primeiro tempo em Ipatinga. Dois a zero Atlético Mineiro. Dona Dione não suportou as dores no hospital. O seu pai Edu estava ao lado dela. O seu tio Joãozinho veio voando de fora do país. E, para piorar, o Corinthians perdendo, quem sabe também a a liderança do turno para o Flamengo. A avó deve ter sentido toda aquela dor machucada no nosso campinho de vida. Chegou ao céu pouco antes de recomeçar o jogo. Deve ter feito o pedido a Ele:

- Meu Deus, para melhorar a vida dos meus filhos e do meu neto Bruno: pelo menos dê uma força lá embaixo. Eu sei que o Atlético Mineiro também precisa de muita oração para sair dessa. Que precisa de uma família tão unida quanto a nossa. Tão dolorida como agora. Sei que o presidente do Galo ainda vai comprar mais um 30 times até o final do ano. Mas, meu Deus, só para ajudar minha família: dê um jeito naquele jogo de Ipatinga. Dê uma alegria pros Almeidas, vai?

E se você não havia entendido como o Corinthians empatou em menos de dez minutos, e completou a virada até o final do jogo, saiba a primeira coisa que o meu velho amigo Edu Almeida me disse, no hospital, de madrugada:
- Você viu a virada do líder, Mauro?
Vi, Edu. E, viu, Bruno: pode parecer estranho. Mas é assim que são os adultos quando falam de futebol. São mais crianças que você. São tão infantis quanto seu João Genésio, seu avô. Ele nasceu corintiano no meio do mato. Foi pra cidade fazer família e dinheiro. Fez amigos pelo futebol que viu todos os domingos da juventude no Pacaembu, e outros tantos dias e noites nos estádios.
“Ver” é força de expressão. Seu João ficava tão nervoso que, quase sempre, acendia o cigarro na barraquinha mais distante da meta de Gilmar ou Barbosinha, e ficava lá ouvindo a partida. Assistir ao jogo? A fé era grande. Mas crer para ver era um passo maior que o Corinthians.
Ele não viu um monte de coisas nos estádios. Aliás, ficou 22 anos sem ver algo de bom pelo Corinthians. Mas ele estava sempre lá. Como a sua avó vai continuar estando com você, Bruno. Cuidando da família e das alegrias. Ajudando lá de cima quando as coisas aqui embaixo não andam ou não jogam bem. Não vai ser sempre que vai acontecer a virada de Ipatinga. Mas sempre vai ser algo especial porque ela vai continuar contigo, Bruno. O melhor jeito de reunir uma família é a fé. Também no futebol ela não se explica.
De tanto ouvir os jogos dentro do estádio, o seu avô João aprendeu a reconhecer gols pelos gritos das torcidas. Sabia diferenciar um grito corintiano do urro palmeirense e do berro são-paulino. Sem ver ele já tinho visto de tudo. E de tanto ouvir gozava os amigos de outras cores fazendo com que ouvissem o “Salve o Corinthians, o campeão dos campeões” pelas ruas do centro de São Paulo.
Contratava uma bandinha para tocar o hino depois das grandes vitórias e títulos. Quando o Corinthians perdia para o Palmeiras, e o troco era inevitável, seu João abria o bolso e pagava em dobro. A banda, fiel como jogador profissional, mandava para escanteio a partitura de “Quando surge o alviverde imponente”. Naquela segunda-feira de vitória do Palmeiras, ninguém entendia aquele hino do Corinthians tocando no Largo São Francisco.
Seu João viu (ouviu) de tudo. O Corinthians fez rir, fez chorar. Fez a vida do seu João, faz a do filho Edu, e fará a do neto Bruno. E faz também a de muita gente boa que ganha a vida para fazer melhor a de corintianos, palmeirenses e torcedores de todas as cores. Por mais que essa mesma gente troque de clube como a gente troca de camisa, por mais que os cartolas troquem o clube como a gente troca dinheiro, a banda do seu João vai continuar passando e tocando o hino do Corinthians.
Agora, seu João e dona Dione vão fazer um barulhão lá em cima, Bruno. Até porque, você sabe como é família: a gente torce sempre por ela. Até quando o seu João é Corinthians, e a dona Dione é Palmeiras. Mas, aqui, ela também torce pela alegria da família. Ela também é Sport Club Almeida Paulista.


Adaptado de Mauro Beting